Marilyn teve uma longa experiência com a psicanálise. Ela começou a se consultar com a doutora Margaret Hohenberg por influência de Lee Strasberg, que achava que o tratamento ajudaria na exploração de suas emoções e consequentemente, no seu processo de amadurecimento como atriz no Actor’s Studio. Foi a partir daí que ela começou a dar voz as vozes. Nunca mais foi a mesma. Grande parte dos problemas de Marilyn eram consequência da psicanálise. De 1955 a 1962 ela deitou sobre o divã de 5 psicanalistas. Chegou a se consultar com Anna Freud, filha do próprio pai da psicanálise, que a atendeu quando estava na Inglaterra filmando O Príncipe Encantado. Marilyn acabou desenvolvendo uma bizarra dependência e obsessão por psicanálise, consumindo tudo o que pudesse sobre o assunto, ela demonstrava um conhecimento gigantesco para alguém que nunca estudara afundo. Sua dependência era tão grande que ela não conseguia mais sequer gravar sem a ausência de sua psiquiatra. Tinha crises de ansiedade, paranoia, medo. Faltava dias ao trabalho. Esquecia os textos e paralisava toda a produção, já que a estrela nunca estava pronta para gravar. Ao longo dos anos, a situação foi galgando níveis absurdos até que Marilyn simplesmente não conseguia mais filmar.
 

A psicanálise é uma ciência perigosa. Vai à fundo nas memórias mais dolorosas e sofridas na tentativa de extrair o “problema”. Os tratamentos são sempre longos e exaustivos e não se sabe certamente qual cura se busca. No caso de Marilyn, talvez a psicanálise tenha sido mesmo desastrosa. Ela não conseguia mais se libertar dos sofrimentos emergidos, passou a viver enclausurada entre suas memórias trágicas, numa atmosfera completamente dark. Seu estado de espírito era o pior possível, seu estado era lamentável. Nada podia parecer reerguê-la. Mas talvez, ela tivesse a certeza de que seria curada pela psicanálise.

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  1. welcome-to-your-hell publicou isto
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